Lucuma – nutritiva alternativa ao açúcar

Lucuma – nutritiva alternativa ao açúcar

A lucuma é uma fruta originária da América do Sul, cultivada especialmente na região andina, por países como o Chile, Equador, Peru. De uso ancestral, era sagrada para o povo Peruano, com associação à criação do mundo, à semelhança do que representa a maçã para o cristianismo. Para além do seu significado simbólico, ao qual estão associados diversos mitos, tem também valor medicinal e um imenso valor nutricional. Em tempos pré-hispânicos era associada à fertilidade e longevidade.

É uma fruta que demora cerca de 9 meses a amadurecer, e deve ser consumida bem madura. De paladar muito doce, existe quem a descreva como um misto de caramelo e abóbora, outros consideram que se assemelha à baunilha e outros ainda referem que se parece com batata-doce ou uma mistura de manga e damasco. O certo é que é muito doce e de paladar agradável e muito aromática. A polpa, por ser muito concentrada em amido, pode secar-se e obter-se uma farinha ou pó, muito nutritiva, durável e muito doce. É desta forma que normalmente é comercializada, pois a fruta sendo muito perecível, torna pouco viável a sua exportação. Na América do Sul é o sabor de gelado mais apreciado. As suas folhas são usadas para curar irritações da pele.

Nutricionalmente é um alimento de baixo índice glicémico, o que permite a sua utilização como um adoçante mais saudável que o açúcar, não provocando picos de glicémia, com a vantagem de ser um adoçante rico em minerais, vitaminas, fibra e com algum teor proteico. É por isto muito utilizado na culinária, até pelos grandes chefs, como adoçante e pela sua semelhança aromática à baunilha. Também é uma boa opção para diabéticos. A sua cor alaranjada evidencia a sua riqueza em betacaroteno (percursor da vitamina A), um antioxidante que ajuda a manter a saúde da pele, para além de ajudar a um bom bronzeado, é vital na saúde dos olhos, dos ossos, reduz o risco de doença vascular e é um aliado no bom funcionamento do sistema imunitário. É rica em vitamina B3 (niacina), essencial no processo metabólico de produção de energia, prevenindo a fadiga, insónia, irritabilidade, promove o bom funcionamento do sistema nervoso, combatendo estados depressivos, e é também um auxiliar na diminuição do colesterol elevado. Este fantástico alimento possui ainda efeito anti-inflamatório. Um estudo realizado pela Rutgers, Universidade de New Jersey avaliou o efeito anti-inflamatório do óleo das sementes da lucuma na cicatrização de feridas e envelhecimento da pele. Verificaram que a lucuma acelerou significativamente a cicatrização da ferida e a regeneração do tecido, o que lhes permitiu concluir que a lucuma pode ter efeito anti-inflamatório, anti envelhecimento e efeitos reparadores sobre a pele humana.

É rica em minerais como ferro, magnésio, fósforo, sódio e cálcio. 100g de pó fornecem cerca de 92mg de cálcio, 4,6mg de ferro, 186mg de fósforo, 4g de proteína e apenas 2,4g de gordura.

Use o pó de lucuma adicionando-o aos seus batidos, papas, sobremesas, bolos, cereais, granola, gelados. Também pode ser usado para enriquecer as refeições de bebés e crianças.

 

Cláudia Maranhoto

 

(Publicado originalmente em Escolha Saudável a 20/11/2015)

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